Taxas de Juro voltam a mexer
Euribor desce em setembro: o que significa para o crédito habitação
A Euribor a seis meses, atualmente o principal referencial nos contratos de crédito habitação em Portugal, registou uma nova descida no dia 29 de setembro, fixando-se em 2,109%, menos 0,014 pontos do que na última sexta-feira.
Segundo o Banco de Portugal, este prazo representava em julho 37,96% do total de empréstimos para habitação própria permanente com taxa variável, sendo por isso o indicador que mais impacto tem nas prestações mensais da maioria das famílias.
Outros prazos: três e doze meses em sentidos opostos
Enquanto a taxa a seis meses recuou, a Euribor a 12 meses avançou ligeiramente para 2,189%, um acréscimo de 0,010 pontos. Já a Euribor a três meses também subiu, fixando-se em 2,016%, mais 0,016 pontos do que na sessão anterior.
No conjunto, a taxa a três meses continua a ser a mais baixa, situando-se abaixo da de seis e da de 12 meses.
O impacto nas prestações do crédito habitação
Embora a descida da Euribor a seis meses seja pequena, traduz-se em algum alívio para as famílias com crédito habitação. Uma redução de apenas alguns décimos percentuais, pode significar menos 5 a 15 euros por mês numa prestação média, valor que ao fim de um ano pode representar uma poupança adicional no orçamento familiar.
Quem tem contratos indexados à Euribor a três meses sentirá ainda menos impacto imediato, mas beneficiará se a tendência de estabilização se prolongar.
Comparação com 2024
Há exatamente um ano, em setembro de 2024, a Euribor a seis meses rondava os 3%, o que se refletia em encargos significativamente mais elevados para os mutuários. A atual taxa de 2,109% representa uma diferença de quase um ponto percentual, correspondendo a dezenas de euros poupados todos os meses por muitas famílias portuguesas.
BCE mantém taxas diretoras estáveis
Recorde-se que o Banco Central Europeu decidiu, a 11 de setembro, manter inalteradas as taxas diretoras, após oito descidas consecutivas desde junho de 2024. Esta decisão era amplamente esperada pelos mercados, que agora aguardam a próxima reunião de política monetária, agendada para 29 e 30 de outubro, em Florença.
Caso o BCE mantenha esta estratégia, é provável que a Euribor continue a oscilar em valores relativamente estáveis, proporcionando algum alívio aos devedores.
Tendência nos últimos meses
Em termos médios mensais, agosto trouxe aumentos em todos os prazos:
a três meses, a taxa avançou para 2,021% (+0,075 pontos),
a seis meses para 2,084% (+0,029 pontos),
a 12 meses para 2,114% (+0,035 pontos).
Apesar destas subidas, setembro mostrou sinais de desaceleração no prazo mais utilizado em Portugal, o que pode indicar um início de estabilização.
O que esperar nos próximos meses
As Euribor resultam da média das taxas às quais 19 bancos da zona euro estão dispostos a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário. Por isso, os seus valores refletem não somente as decisões do BCE, mas também a perceção de risco e liquidez no sistema financeiro europeu.
Especialistas sublinham que, caso a inflação na zona euro continue controlada, é provável que as taxas mantenham uma trajetória de ligeira descida até ao final de 2025.