Imobiliário 2026: estabilização e futuro
O ano de 2025 foi marcado por uma dinâmica muito intensa no setor imobiliário em Portugal, e ao olharmos para 2026, os sinais apontam para uma fase de maior maturidade e estabilização, embora com desafios estruturais que ainda persistem.
Retrospetiva de 2025: Um ano de aceleração
O ano que agora termina superou muitas das expectativas iniciais. Após um 2024 de alguma incerteza, 2025 trouxe:
Valorização acentuada dos preços: em vários trimestres deste ano, assistimos a subidas homólogas nos preços das casas que superaram os 17%. A procura continuou muito superior à oferta disponível.
Estabilização das taxas de juro: A descida gradual das taxas Euribor pelo Banco Central Europeu, que se fixaram em torno dos 2%, trouxe um alívio direto às prestações e permitiu que muitas famílias voltassem a ter capacidade de financiamento.
Impulso jovem: as medidas governamentais, como a isenção de IMT e Imposto do Selo para jovens até aos 35 anos, bem como a garantia pública, foram motores fundamentais para o aumento do volume de transações, que cresceu cerca de 20% na primeira metade do ano.
Domínio do comprador nacional: apesar do interesse estrangeiro continuar vivo, cerca de 95% das transações foram realizadas por residentes em Portugal, demonstrando a resiliência do mercado interno.
O que esperar para 2026: Consolidação e novas tendências
Para o próximo ano, o mercado deverá entrar num ciclo mais racional. Estas são as principais tendências:
1. Evolução dos preços e procura
Espera-se que o crescimento dos preços continue, mas de uma forma mais moderada. As previsões apontam para subidas entre os 3% e os 6%, contrastando com os crescimentos de dois dígitos de 2025. O mercado estará mais equilibrado, com os compradores a serem mais seletivos e estratégicos nas suas decisões.
2. Taxas de juro e financiamento
A previsão é de que a Euribor se mantenha estável ou com ligeiras descidas, rondando os 1,9% a 2,0%. Isto garantirá uma maior previsibilidade para quem precisa de recorrer a crédito habitação. A Crédito Aqui terá aqui um papel fundamental ao ajudar a encontrar as melhores condições num mercado que se antevê muito competitivo entre os bancos.
3. Foco na oferta e medidas fiscais
O governo anunciou um choque fiscal para a habitação que terá pleno impacto em 2026. Medidas de incentivo à construção e simplificação de licenciamentos visam aumentar o número de casas novas no mercado. No entanto, como a construção leva tempo, a escassez de oferta ainda será um tema central durante o próximo ano.
4. Descentralização e regiões emergentes
Embora Lisboa, Porto e Algarve continuem a ser os principais focos, cidades como Braga, Aveiro, Setúbal, Évora e Viseu ganharão ainda mais protagonismo. Estas zonas oferecem uma melhor relação entre qualidade de vida e preço, atraindo tanto famílias como investidores que procuram rentabilidades superiores a 5%.
5. Sustentabilidade como norma
Em 2026, a eficiência energética deixará de ser um extra para se tornar uma exigência. Imóveis com certificação energética superior (A ou A+) serão mais valorizados e terão maior facilidade de revenda, acompanhando as novas regulamentações europeias.
Em suma, 2026 será um ano de oportunidades para quem tiver uma visão de médio e longo prazo. O mercado português mantém a sua imagem de porto seguro, com estabilidade jurídica e uma procura que, embora mais consciente, continua a sustentar o valor dos ativos.


